sexta-feira, 23 de agosto de 2019

AMAZÔNIA: O DESMATAMENTO AUMENTOU NOS ÚLTIMOS ANOS?


O desmatamento na Amazônia, maior floresta tropical do mundo, que ocupa quase metade do território brasileiro, vem tornando-se uma realidade preocupante desde principalmente a década de 70 em diante. Quando essa imensa e rica floresta passou a ser objeto de maior interesse e cobiça de diversos e diferentes agentes econômicos privados com a conivência do governo brasileiro que forneceu a abertura de estradas, apoiou projetos causadores de problemas ambientais e submeteu à região amazônica a destruição. 

Em contrapartida, nessa mesma década em diante começa a haver no mundo, de certo modo, o despertar da consciência ambiental, onde movimentos sociais, ONG’S (Organizações Não Governamentais), ambientalistas, sociedade civil e determinadas lideranças políticas, inclusive, alguns grupos de ambientalistas começando, na época, a se organizar e mobilizar no Brasil.

Buscavam basicamente incentivar, no geral, a preservação do meio ambiente, alertando a respeito da sua importância para a vida humana e de outros seres vivos, além de destacarem ideias e ações que promovessem uma relação menos predatória da sociedade com a natureza. 

De lá para cá, já se passaram quase praticamente cinco décadas, muitas das questões ambientais os problemas só se agravaram, entramos no século XXI e estamos para ser mais exato em meados do ano de 2019, mas o problema ambiental do desmatamento da Amazônia certamente permanece como um assunto fundamental. 

Mesmo que podemos dizer que iniciamos essa década atual positivamente no que diz respeito, pelo menos, a ter ocorrido uma redução nos índices de desmatamentos, pois segundo dados divulgados pelo MMA (Ministério do Meio Ambiente), em novembro de 2012, o desmatamento na Amazônia diminuiu entre agosto de 2011 e julho de 2012. Correspondendo não tão somente uma mera redução de 27% em relação ao período anterior. Mas, sendo considerado o menor índice de desmatamento desde a época de 1988 na Amazônia. 

Além de outros dados nos anos seguintes, ressaltando a redução do desmatamento. Levando em consideração dados divulgados, em 2014, pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Onde o instituto informou que houve uma redução na taxa de desmatamento na floresta amazônica no período entre 2013 e 2014 em relação ao período anterior, 2012 a 2013, correspondendo a uma diminuição do desmatamento em praticamente 18%.

Desse modo, assim, poderíamos já supor que iniciamos essa década mesmo com o pé direito, tendo em vista que o índice de desmatamento na Amazônia vinha sucessivamente caindo e torcíamos para que essa questão pudesse prosseguir seguindo nessa direção.

Contudo, apesar desses dados fornecidos ter positivamente apontado para uma queda no desmatamento, logo contribuindo para a relativa preservação da floresta amazônica. Por outro lado, no período verificado aproximadamente na metade desta década atual, podemos afirmar que, desandamos a partir daí caminhando a largos passos na direção contrária. Uma vez que segundo revela o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) em 2016 ocorreu um aumento no desmatamento da Amazônia em torno de 30%, sendo considerado o pior resultado desde 2008. 

Retomando a tendência de aumento do desmatamento. Demonstrando o peso da pecuária na região da Amazônia, cuja qual não é a única atividade econômica, mas é uma das principais atividades a impulsionar o desflorestamento na região, devastando enormes áreas de árvores para dá lugar as pastagens para o gado, acompanhada das queimadas, da excessiva extração de madeira ilegal e da expansão da nova fronteira agrícola na Amazônia com a introdução do cultivo da monocultura de grãos, principalmente da soja.

Segundo pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o crescimento médio de rebanho bovino na região acontece numa velocidade incomparavelmente superior ao restante do Brasil. Onde a maior parte do fenômeno do crescimento do rebanho brasileiro deu-se nos Estados pertencentes à Amazônia (Pará, Rondônia, Mato Grosso) que, ao mesmo tempo, são áreas nas quais o desmatamento é maior. 

Dados fornecidos, desta vez, pelo IMAZON (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) reforça essa tendência negativa de crescimento revelando que entre agosto de 2017 e julho de 2018, as derrubadas aumentaram 39% em relação ao período anterior. O instituto ainda também apontou que um dos principais causadores do desmatamento na Amazônia é a pecuária que sozinha essa atividade foi responsável por mais de 60% da perda de vegetação nativa.

A situação de destruição que a Amazônia é submetida certamente que é algo bastante preocupante, podendo chegar em algum momento a condições inimagináveis se prosseguir nesse ritmo, na medida em que não cessam de surgir novas pesquisas apresentando resultados negativos relacionados a esse problema ambiental, conforme afirma um estudo mais recente publicado na revista Science, em fevereiro de 2018, através da qual se constata que, lamentavelmente, mais de 20% da área total de floresta da Amazônia já foi devastada. 

Nesse contexto, é necessário retomar a discussão da importância da floresta amazônica de pé para a existência da vida humana e da vida de milhares de outros seres vivos que dependem diretamente dela e ficarão prejudicados com o seu desmatamento assim como buscar estimular a consciência ambiental, indicando possíveis alternativas e soluções.

Pressionar os políticos para criarem leis ambientais mais rigorosas, exigindo dos governantes a aplicação dessas mesmas leis ambientais através, por exemplo, da ampliação da quantidade de fiscais, tão imprescindível para o caso específico da Amazônia por se tratar de uma região tão imensa. E tornar, ainda, essa fiscalização mais consistente, passando a punir as empresas ou pessoas que cometem graves crimes ambientais assim como pessoas que ameacem a vida de ambientalistas. 

Além disso, é essencial usar dos conhecimentos científicos e tecnológicos disponíveis em prol da preservação da floresta amazônica; incentivar ações que objetivem promover o reflorestamento da Amazônia; ampliar a criação de áreas de proteção da natureza; investir em programas de educação ambiental, visando fortalecer à defesa do meio ambiente. Entre outras iniciativas que possam, de fato, contribuir no sentido de ajudar a reduzir o desmatamento da floresta Amazônica. 

TEXTO: ANTONIO GUSTAVO

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