domingo, 4 de abril de 2021

TENHO COMIGO


Tenho comigo as míseras utopias 

Uma a uma incomodadas e reunidas no cemitério 

Aprendendo com a arte das despedidas

O que se some e não soma hemisfério a hemisfério.


Tenho comigo noites mal dormidas 

Da insônia o escolhido pelos sonhos não sonhados

De abertas feridas por felicidades adormecidas 

Dos encontros o único por todos desencontrados.


Tenho comigo o sabor do fim dos dias

A experiência inescrutável dos itinerários

Percalços inúmeros a atrapalhar nossas vidas

Com fiel  apoio dos desumanos reacionários.


Tenho comigo as bondade reduzidas

Para os cegos que ainda inventam razões de ser nos fardos

Sem fazer motivo algum para ver traduzidas 

No bem, justiça e liberdade a face maltratada dos fatos. 


POEMA: ANTONIO GUSTAVO

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