domingo, 21 de março de 2021

AMADA



Minha amada, minha amante e meu amor

Há muito mais alegria, ternura, fervor e luz

No meu jardim desde o espinho até a flor

Refletem a perfeita harmonia que você traduz.


Minha amada, minha amante e meu amor

Não adianta mais enganar, fugir, recusar ou fingir

Veja quanta beleza, brilho e vida à atrair ao redor 

Sua doce presença a paisagem cinza em cor a colorir.


Minha amada, minha amante e meu amor

Meus braços para os teus abraços suavemente conduz 

Meus passos no espaço correm macios aonde você for

Indo tão gratos em direção ao teu encontro que os seduz.


Minha amada, minha amante e meu amor

Sentimento assim além do corpo invade a alma sim

Tentando superar sem medo as marcas deixadas pela dor 

Acreditando viver agora este amor uma história mais feliz.


POEMA: ANTONIO GUSTAVO

quinta-feira, 18 de março de 2021

É CHEGADA A HORA



É chegada a hora... de alimentar os fantasmas

Todos os cegos vícios se apossaram de mim

Visitando as entrelinhas do subúrbio da alma

Se divertindo com meu sofrimento sem fim.

 

É chegada a hora... de se despedir da lucidez

Sem ter a oportunidade de lembrar a última vez

Com que conseguimos superar aos hostis devaneios

Se contentando com os sentimentos verdadeiros.

 

É chegada a hora... que não há calma que resolva

Para evitar as ilusões de esdrúxulas miragens

A felicidade anda solta pela cidade feito louca

Contemplando, mas não completando as paisagens.

 

É chegada a hora... que só aos vivos ficará as cicatrizes

Da falta materializada nos vestígios da lembrança

Que não nos fazem tristes nem felizes

Mas, com esperança como o sonho é a uma criança.


POEMA: ANTONIO GUSTAVO

MADRUGADA MALOGRADA

 


Como quem carrega o fardo

De ter armado sua própria armadilha

Transformando em possibilidade

Um continente ora ser uma ilha.

 

Foi assim o futuro que imaginei

Uma imagem que sozinho alimentei

Fora da realidade do que se passava

Longe dela me amar como eu lhe amava.

 

E ainda há quem acredite

Que eu não fiz

Por onde merecer

Fazendo do bem

Um mal, uma vertigem

Do amor morrer

Ao invés de crescer.

 

Mas, o que pude fazer

Se no espaço não tinha

Coisa nenhuma dada

Muito menos a possibilidade

De me opor e lhe socorrer

Antes de vim a madrugada malograda

Com as pessoas e ruas a se recolher.


POEMA: ANTONIO GUSTAVO

DESPEDIDA INDEFINIDA

 


É um querer estar distante

Como se permanecesse perto

É um esquivar-se do amante

Como se fosse um ser eterno.

 

É uma canção recém nascida

Mas, já adoecida pelas distorções

De quem faz por crer a poesia

Ser desnutrida de boas intenções.

 

É um querer não querendo

Como um saber não sabendo

É um viver mesmo morrendo

No espaço desse efêmero tempo.

 

É uma despedida bem indefinida

Imponente a ir ultrapassando gerações

Que do que têm em si oculta vestida

Ora é despida por diferentes interrogações.


POEMA: ANTONIO GUSTAVO

sábado, 13 de março de 2021

QUAL?

 


Qual é a medida da distância

Entre o sonho e a realidade?

Qual é a sedenta esperança

Que se realiza de verdade?

Qual é o inóspito abismo

Que separa o amor da humanidade?

Qual é o particular abrigo

Que se encontra a força de vontade?

Qual é a cobiçada resposta

Que não sufoca a liberdade?

Qual é a prestigiada obra

Que não alega falta de originalidade?

Qual é o firme propósito

Que se reconheça o mérito da lealdade?

Qual é o encantador sorriso

Que resgata o território da felicidade?

Qual é o caminho a ser percorrido

Que não perca o sentido e a direção?

Qual é a água transformada em vinho

Que faça derramar a taça do meu coração?

Qual é o sinal do fim dos tempos

Que revela a face da razão sem razão?

Qual é o Deus que sopra os ventos

Que vivifica o bem no coração da nação?


POEMA: ANTONIO GUSTAVO

INCÓGNITA


O que é isto que antes de me orientar

Incompreendidamente, me conecta e lança

Perdido ao acaso do vento; triste fragmento no ar

Iludidamente, sem oxigênio para alimentar esperança.

 

O que é isto que marca os passos de quem sonha

Rouba a voz de quem outra realidade clama

O direito irrefutável de respirar um espaço

Onde a lua seja mais iluminada e o sol menos opaco.

 

O que é isto que no mistério de seu nome

Faz cair ricos e pobres menos a máscara da morte

Imunizando sem censura quem subtrai e some

Socializando na vida apenas a miséria e nunca a sorte.

 

O que é isto que escraviza o bem e liberta o mal

Protagonizando o império de trevas ao invés de luz

No extremo trópico ocidental ou árido oriental

É sempre acidentalmente incógnita que seduz.


POEMA: ANTONIO GUSTAVO

TENTO

Tento ser por fora rígido como uma rocha

Mas, por dentro sou frágil como uma flor

Tento ter exposto minha obra em amostra

Mas, o que faço é pouco apesar de com amor.

 

Tento ser para a felicidade uma porta aberta

Mas, acabo me fechando em minha própria dor

Tento ter do cúpido emprestado o arco e a flecha

Mas, acabo provocando fúria ao invés de amor.

 

Tento ser para o tempo suave compreensão

Mas, sou efêmero como horas já transcorridas 

Tento ter recuperado os sonhos da imaginação

Mas, sou também desilusão de utopias perdidas.

 

Tento ser a síntese da possível salvação

Mas, acabo cético como dúvidas sempre renascidas 

Tento ter respostas ao invés de só interrogação

Mas, é inútil, até percebo todas as certezas corrompidas.


POEMA: ANTONIO GUSTAVO

PALAVRA

Muito vale a palavra de quem fala em busca de esclarecimento; pouco vale a palavra de quem fala em busca de engajamento. (Antonio Gustavo)