sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

TEU OLHAR

A gratidão no meu olhar

Quando encontra com o teu

Brilha como uma luz na escuridão

Encanto que o mundo perdeu.

 

Não me canso de os admirar

Poesia visual que jamais se escreveu

Outra tão especial no meu coração

Onde palpita uma voz dizendo:

 

Felizes os dias que os conheceu

Felizes os dias que os beijou

Felizes os dias que ficou

 

Em gestos, sinais ou ações a expressar

Que havemos muito mais de nós amar

Ainda que o mundo ignore este fato enxergar.

POEMA: ANTONIO GUSTAVO

PRA FICAR MELHOR



Pro escuro ficar claro eu preciso

Ver o mundo através dos seus olhos

Pro frio ficar quente eu preciso

Mais que tudo ter você do meu lado.


Pro pesado ficar leve eu preciso

Sentir o alívio do teu carinho no meu corpo

Pro inferno ficar paraíso eu preciso

Te convencer que amar é lindo, não é pecado.

 

Pra ficar acompanhado e não sozinho eu preciso

Te dizer que mesmo parecendo confuso

Vale a pena viver um sentimento tão puro


Pra ficar melhor do que pior eu preciso

Do teu abraço, do teu beijo, do teu sorriso

Fazer de nós dois um só caminho, abrigo, infinito.

POEMA: ANTONIO GUSTAVO

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

CONTRA A CULTURA DO CANCELAMENTO

O que uma atriz, uma escritora, um cantor, um padre, um ex-juiz contemporâneos e até, inclusive, uma princesa pode ter de algo em comum num determinado fenômeno social? A atriz Alessandra Negrini se fantasiou no bloco de carnaval de índia, para algumas pessoas uma não-índia não pode se fantasiar de índia, sendo assim a opção pela escolha da fantasia foi erradíssima, está cancelada. Acusada de apropriação cultural.

A escritora J.K Rowling autora do livro Harry Potter tuitou um certo artigo na internet que dava a entender que o termo mulher só pode ser apropriadamente aplicado ao gênero biológico, como se hoje em dia não fosse mais normal e nem pudesse mais ter uma opinião e posicionamento diferente baseado na ciência. Está cancelada. Acusada de “transfóbica”.

O cantor sertanejo Eduardo Costa no seu relacionamento, em 2018, referiu-se num comentário, o próprio em tom de brincadeira por já ter intimidade, sobre o uso de uma roupa da sua mulher, está cancelado. Acusado de machismo.

O padre Fábio de Melo fez um procedimento estético de harmonização facial que não só desagradou a muitos de seus seguidores e fãs que, de uma ora para outra, ainda alguns chegaram ao ponto de acharem que o Fabio de Melo se preocupa, a grosso modo, mais com sua aparência do que com a sua essência. Está cancelado. Acusado de vaidoso.

O ex-juiz Sérgio Moro que já era odiado, de um lado, pelos petistas pelo combate à corrupção, passou a ser, de outro lado, odiado por bolsonaristas após proceder ao se afastar e denunciar o presidente Bolsonaro do possível interesse de querer intervir na própria Policia Federal com determinados fins exclusivamente pessoas. Está cancelado.

Nem os mortos escapam. A princesa Isabel assinou a Lei Áurea, em 1888, que foi a lei na qual extinguiu a escravidão no Brasil. Em relação a esse acontecimento como bem disse o historiador Paulo Rezzutti: “é óbvio que houve atuação dos próprios negros por sua libertação, mas daí tirar os méritos da princesa só porque era branca é estupidez”. Está cancelada. Foi acusada de roubar o protagonismo da abolição.

A cultura do cancelamento é adotado nas redes sociais por todo espectro político. Atacando não só pessoas famosas, mas também anônimas. Deve haver clareza de que seu método de demolições de reputações, na maioria das vezes, acontecendo em ritmo frenético, sem permitir o direito a defesa, merece repúdio.  

O perigo existente na histeria e ódio geral promovido pela ignorância da cultura do cancelamento lembra até, inclusive, de um episódio histórico ocorrido, entre 1962 e1963, na cidade de Salem, colônia americana de Massachusetts, conhecido como “caça às bruxas”.

Outro fenômeno social através do qual também foi baseado em suspeitas, mentiras e fofocas, dezenove pessoas (19), em sua maioria mulheres, foram mortas enforcadas acusadas de cometer bruxaria. Coisa que vamos supor que mesmo se tivesse, de fato, acontecido a bruxaria. Não colocando em risco e nem tão pouco cometendo enorme mal a vida de outras pessoas, levando em consideração a lei ou mesmo o bom senso jamais se justificaria como contraponto tamanha crueldade e injustiça do ocorrido no “caça às bruxas”.

Por isso, é importante destacarmos dois elementos que são fundamentais da democracia: a liberdade de crítica e de pensamento. No entanto, há necessidade de haver o mínimo de ética e bom senso para não transformarmos, por exemplo, a extremidade de ocorrência de ataques de ideias em ataques de pessoas. Pois, assim corremos o risco até mesmo de transformar a defesa da democracia em demagogia, ou seja, na teoria estamos supostamente defendendo ideias. Enquanto, ao mesmo tempo, na pratica, estamos, de fato, promovendo ataques pessoais. Abusando desnecessariamente da “liberdade de crítica” e de “pensamento”.

Quando algo tão natural e comum como a existência de diferença de pensamentos e posicionamentos se torna em algo anormal e fora do comum, ao ponto de não aceitar a manifestação de contrariedades na democracia, isto é, a existência de opiniões diferentes, ideias divergentes. Já que democracia não é equivalente a ditadura do consenso, equivocado entendimento que pressupõe, na verdade, a imposição da vontade da maioria negando essenciais direitos básicos e inalienáveis de uma pessoa.

Esquecendo que a liberdade de pensamento também garante outros dispositivos da legislação brasileira no próprio artigo 5º da Constituição, de 1988, por exemplo, em dois incisos: “Inciso V: impõe limites à liberdade de pensamento ao garantir o direito de resposta para aqueles que forem ofendidos; Inciso IX: garante a liberdade de expressão intelectual, artística, científica e de comunicação, livre de censura ou licença;”. 

Logo, a liberdade não pode ser ignorantemente utilizada como justificativa para desrespeitar, violando leis ou desprezando o bom senso e, nem tão pouco, a própria liberdade de quem estiver sendo vítima de cancelamento não pode jamais ser desrespeitada e violada sob o pretexto de determinados argumentos propagados no intuito de cancelarem que, na verdade, disfarçam serem inspirados,  muitas das vezes, em sentimentos negativos,  dentre outros, de maledicência, ódio, inveja, falsidade que instigam ataques pessoais a reputação  de pessoas que simplesmente não se têm afinidades. Por essas e outras razões, pode-se dizer que, de fato, algo não anda certo com o fenômeno da cultura do cancelamento. Portanto, o melhor mesmo a se fazer é: cancelar a cultura do cancelamento.

TEXTO: ANTONIO GUSTAVO


 É muita gente falando do que não sabe. E pouca gente falando do que sabe.

(Antonio Gustavo)

IGNORÂNCIA ALINHADA A MALDADE


Enquanto a ignorância estiver alinhada a maldade nunca que o Brasil se tornará um país melhor.

 (Antonio Gustavo)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

LIXO ELETRÔNICO: É O QUE MAIS CRESCE NO MUNDO?



O lixo eletrônico ou tecnológico também conhecido pela sigla RAEE (Resíduos de Aparelhos Eletroeletrônicos) como o próprio nome, de um modo ou de outro, sugere, corresponde a todo lixo que é basicamente proveniente de materiais eletrônicos. Tais como: computadores, monitores, teclados, impressoras, aparelhos de som, rádios, geladeira, fogão, televisores, telefones, celulares, baterias, fios, dentre outros.

De acordo com os resultados apresentados através de um relatório divulgado durante o WEF (Fórum Econômico Mundial), em 2019, revela-se que, de todos os tipos de lixos existentes, o lixo eletrônico ao lado do plástico é um dos que mais cresce de forma rápida no mundo. Indicando os dados que a cada ano são gerados em média mais de 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico no mundo.

Para ser mais exato de acordo com o Global E-waste Monitor 2020 das Nações Unidas, em 2019, houve um recorde de 53,6 milhões de toneladas no mundo. Equivalendo a um aumento assustador de 21% verificados num período de 5 anos. Projetando uma dimensão desse crescimento o presidente da Associação Internacional de Resíduos Sólidos, Antonis Mavropoulos, afirmou: "Nos últimos cinco anos, a quantidade de lixo eletrônico cresceu três vezes mais rapidamente do que a população mundial”.

Esse aumento excessivo de produção lixo eletrônico pode estar associado, dentre outras coisas, principalmente a três fatores: ao contexto do advento do fenômeno da globalização; aos diversos avanços tecnológicos no mundo moderno provocados pela revolução do meio técnico científico informacional, facilitando o acesso, expandindo o consumo de equipamentos eletrônicos e resultando na conseqüente elevação da produção de lixo eletrônico; e a falta de difusão maior da consciência ambiental e valores éticos com ações visando à sustentabilidade ou com a possível consolidação de outros modelos econômicos mais sustentáveis.

O que mais preocupa ainda é saber que de todo essa enorme quantidade de lixo eletrônico produzido, em 2019, segundo Global E-waste Monitor 2020, apenas menos de 18%, em média 17,4%, obtiveram destinos adequados, ou seja, foram coletados e reciclados.

Algo certamente preocupante, pois o lixo eletrônico traz sérios riscos à vida humana e ao meio ambiente, contém substâncias tóxicas, poluentes e perigosas. Por um lado, seu gerenciamento correto pode positivamente proporcionar a redução dos efeitos negativos do aquecimento global e evitar outros problemas de ordem socioambiental.

Por outro lado, se continuar a se ignorar essa questão, não levando em consideração o gerenciamento do lixo eletrônico a tendência é de intensificar problemas a vida humana e ao meio ambiente, decorrente não só de prejudicar os seres vivos com o aumento da emissão na atmosfera de gases poluentes como, por exemplo, CO2, mas também potencializar os danos causados ao meio ambiente com o aquecimento global e as mudanças climáticas.

O relatório divulgado pela Global E-waste Monitor 2020 que contou com a participação da ONU (Organização das Nações Unidas) constata que a China (1º lugar), os Estados Unidos (2º lugar) e a Índia (3º lugar), em 2019, foram os três principais países responsáveis pela maior produção de lixo eletrônico do mundo.

Contudo, especificamente o Brasil em relação a esse cenário da questão de produção de lixo eletrônico é um país que, no geral, também no momento, infelizmente, está longe de apresentar, na realidade, ações significativas que leve em consideração tanto os valores éticos quanto ações fortes que visem à sustentabilidade. 

Constituindo-se no Brasil se configurar, em 2019, no país que lidera como maior produtor de lixo eletrônico da América Latina. E, em relação ao ranking geral, ocupando o 7º lugar, ficando apenas atrás da China, Estados Unidos, Índia, Japão, Alemanha e Reino Unido.

Por essas e outras razões, podemos concluir que se demanda urgentemente a nível global mais atenção para despertar a consciência ambiental no que diz respeito a essa questão do crescimento do lixo eletrônico, além de um conjunto de esforços maiores no sentido de garantir que a produção, o consumo, a coleta, a reciclagem e o descarte aconteçam de maneiras mais sustentáveis e inteligentes.

TEXTO: ANTONIO GUSTAVO

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

ENSINO REMOTO NO MUNDO GLOBALIZADO: UMA DAS ALTERNATIVAS DE EXPANSÃO DA EDUCAÇÃO?




No mundo globalizado em que vivemos que nos possibilitou nas últimas décadas o aparecimento e expansão de novas ferramentas com os avanços tecnológicos, nos transportes e, sobretudo, nas telecomunicações. Pensando na perspectiva educacional, o método de ensino tradicional restringido ao modelo das aulas presenciais com o professor e aluno no ambiente escolar da sala de aula, apesar de manter sua importância, ficou defasado como única alternativa.

Somado, ainda, ao cenário do contexto imposto pela pandemia provocada pelo coronavírus que comprometeu, em grande parte, dentre outras coisas, o contato humano promovendo o isolamento social. Dificultando a ocorrência, assim, das aulas presenciais como normalmente acontecia.

Diante disso, há a necessidade fundamental de com o advento de novas ferramentas das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), não só obviamente utilizá-las auxiliando na educação a distância, mas repensar os antigos métodos de ensino, quem sabe, criando novos e significativos métodos, agregando maior valor ao processo de ensino-aprendizagem.

Mas, nesse processo, alguns questionamentos são pertinentes: Como as diversas ferramentas digitais podem colaborar no ensino? Como consolidar o ensino remoto numa disciplina específica ou transversal que consiga abranger todos os cursos da área de licenciatura? Como fazer isso? De modo que permita implicar numa mudança de amplo e profundo alcance? Como conseguir no presente contribuir com a formação dos estudantes, de certo modo, inviabilizada pelo coronavirus? Fomentando, ao mesmo tempo, condições favoráveis para haver a inclusão digital, permitindo acesso as TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) sem a qual o ensino remoto ficará inviável?

Uma das propostas que podemos destacar diz respeito a incluir e acrescentar nos componentes curriculares dos cursos, principalmente, de licenciatura - aonde o foco maior reside no interesse de formar educadores que geralmente vão atuar na área de ensino com estudantes - a disciplina: ensino remoto.

Pois, assim, permitirá proporcionar condições de estimular noções básicas através de conhecimentos, instrumentos e orientações a nível teórico e prático para os educadores, professores, estarem preparados para, então, conectados atuarem nesta nova realidade muito mais complexa e dinâmica dos nossos dias, contribuindo com os estudantes.

Afinal, nesta época do mundo globalizado na qual, curiosamente, há outros pensadores que preferem chamar de era digital. Os estudantes, na maioria das vezes, já nascem praticamente mergulhados em tecnologia e conectividade. Conforme aponta, por exemplo, “Dados de Uso da Internet” divulgados pela Global Digital Report 2018, constatando a média de existência de 4 bilhões de novos usuários na internet e indicando a contínua tendência de crescimento na quantidade de novos usuários da internet.

Portanto, ignorar esse fato pode facilmente corresponder a nos colocarmos em atraso tanto na difusão da educação, levando muito mais conhecimentos, através do ensino remoto quanto no que se refere às novas possibilidades de conceber a aproximação na comunicação de professores e estudantes.

Sendo assim, a proposta de ensino remoto, pode a princípio ainda equivocadamente parecer simples, porém é bastante relevante, na medida em que consiste numa mudança impactante e positiva, visando se adaptar e adequar à realidade do nosso tempo. Porque está fora do mundo digital equivale hoje a não acompanhar o ritmo acelerado da maneira com que as coisas acontecem. Levando em consideração um conjunto de novas ferramentas, métodos de ensino, reflexões em prol de manter e/ou tornar o processo de ensino e aprendizagem não só importante assim como interessante.

Contudo, é válido ressaltar que jamais deve ser entendida como uma proposta que vise subestimar e, muito menos, ignorar o valor das aulas presenciais, uma vez que o ensino remoto coloca-se como uma alternativa complementar as aulas presenciais que certamente mantêm, por diversos fatores, sua parcela de importância. 

Nesse sentido, a proposta de incluir o ensino remoto, sem dúvida, é muito mais que apenas algo para refletimos, mas uma alternativa necessária para nós preocuparmos em buscar condições de realizar, tornando a educação mais acessível e atual.

TEXTO: ANTONIO GUSTAVO

PALAVRA

Muito vale a palavra de quem fala em busca de esclarecimento; pouco vale a palavra de quem fala em busca de engajamento. (Antonio Gustavo)