terça-feira, 17 de março de 2020

AQUECIMENTO GLOBAL: FARSA OU REALIDADE?



O aquecimento global pode ser basicamente compreendido como o processo de elevação da temperatura média da Terra. Ocorrendo, nos últimos tempos, em escala global, decorrente da intensificação da ação humana.  Esse fenômeno da elevação das temperaturas é identificado não só na atmosfera, mas também nos oceanos, o que gera um desequilíbrio, promovendo mudanças na dinâmica climática da Terra. Prejudicando, dessa forma, vidas tanto terrestres quanto aquáticas.

No que diz respeito às principais causas do aquecimento global, no geral, ainda não há por parte dos cientificas ou dos estudiosos do assunto um consenso definitivamente estabelecido. Na medida em que, por um lado, há uma parcela da comunidade cientifica que contesta, ou seja, não está em conformidade com a explicação do modo como normalmente é compreendida a existência desse fenômeno. E até, inclusive, determinados cientificas e estudiosos, ignorando as evidências reais disponíveis, chegam a negar completamente existência do aquecimento global, chamando-o de “farsa”.

Pois, na maioria das vezes, eles consideram o aquecimento global um processo natural em função das constantes modificações climáticas que o planeta Terra já foi - e continua - submetido. Segundo evidências físicas e reconstruções teóricas, como períodos de extremas alternâncias climáticas, desde muitos quentes da Terra e até outros períodos de resfriamento da Terra, baixando os níveis de temperaturas, conduzidos por fenômenos de glaciações.

Enquanto que, por outro lado, uma ampla maioria da comunidade cientifica mundial atribui às causas das mudanças climáticas de antigamente, há milhares de anos atrás, aos fatores naturais. E, por sua vez, as mudanças climáticas promovidas pelo processo de aquecimento global, nos últimos tempos, estão diretamente relacionadas às atividades humanas que, principalmente após meados do século XIX em diante, vêm emitindo bastantes gases do efeito estufa através do uso de combustíveis fósseis, atividades industriais, desmatamentos e queimadas. Constituindo-se não como os únicos, mas em uns dos principais gases do efeito estufa potencializadores do aquecimento global: Dióxido de Carbono (CO2), Gás Metano (CH4), Óxido Nitroso (N2O).

Segundo um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) publicado, em 2019, as emissões de CO2 avançaram em média 1,5% por ano nos últimos 10 anos. O que certamente deve colocar a humanidade em estado de alerta a respeito do modo como o ser humano veio, nos últimos tempos, a intensificar a emissão de gases do efeito estufa que causam o aquecimento global. O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), órgão responsável por estudos do aquecimento global, acredita que nas próximas décadas a tendência é ainda de temperaturas mais altas.

Tornando o aquecimento global, assim, uma questão não do futuro, mas do presente, ou seja, as causas das mudanças climáticas é algo que já pode ser percebido acontecendo assim como sentido os seus efeitos reais. Segundo revela, por exemplo, evidências climáticas da estação de pesquisa da Base de Esperanza, localizada na Antártica.

A Antártica no começo do ano de 2020 atingiu a temperatura mais quente da história do continente, alcançando 18,3º C, superando o recorte anterior, em 2015, de 17,5º C. Mas, os cenários possíveis da ocorrência do aquecimento global são, infelizmente, maiores e mais abrangentes do que a princípio se imagina, não interferindo apenas negativamente no derretimento das calotas polares e na sobrevivência de espécies pertencentes a esse habitat natural.

Além disso, provoca com a elevação da média de temperatura do Planeta, obviamente o aumento da insolação e radiação solar presente na Terra; aumento das temperaturas dos oceanos; acidificação dos oceanos; elevação do nível dos oceanos; a desestabilização climática em outras regiões com o prolongando de chuvas irregulares; diminuição das chuvas onde outrora era mais comum; catástrofes climáticas como as secas; a extinção de espécies, em função das condições ambientais inóspitas para as suas sobrevivências; aumento da quantidade de refugiados climáticos, dentre outros problemas.

O que sugere da parte da humanidade não só preocupação, mas maior consciência social e, sobretudo, consciência ambiental na busca de fontes alternativas e renováveis de energias que sejam tanto menos poluentes quanto menos agressivas ao meio ambiente. Além de vontade política para propor, apesar de ser uma nova realidade que pega despreparado à maioria dos governantes dos países, a aplicação de um modelo econômico-político-cultural mais ambientalmente sustentável.  

Em contraposição a este contexto que vivemos aonde predomina a lógica insustentável de produção do modelo econômico vigente e a lógica de comportamento cultural impregnado por esse mesmo modelo na sociedade, expresso através do altíssimo índice de produção de poluição, de lixo e valores que desrespeitam a natureza, estimulam o consumismo, ameaçam a biodiversidade, geram a insustentabilidade ambiental, afetando com uma série de alterações climáticas.

Podemos, por essas e outras razões, assim, facilmente perceber porque o processo de aquecimento global é um fenômeno, sem dúvida, importante de ser levado em consideração e mais real do que poderíamos imaginar. Exigindo mais seriedade e atenção no tratamento dessa questão que envolve não somente alterações climáticas na escala local, mas sim na escala global. Afinal, a elevação da temperatura média da Terra, intensificada pela ação humana, ao mesmo tempo, é algo que têm em diferentes aspectos implicações negativas, diretas e indiretas, na qualidade de vida de diversos seres vivos do Planeta Terra.

TEXTO: ANTONIO GUSTAVO

domingo, 23 de fevereiro de 2020

ORIGEM DO UNIVERSO: O QUE É A TEORIA BIG BANG?


Ao se falar a respeito da origem do universo é necessário, antes de tudo, ter consciência de saber que é algo obviamente bastante complexo que até hoje ainda é permeado de mistérios, intrigando diversas áreas do conhecimento da humanidade assim como gerando polêmicas entre diferentes concepções existentes - principalmente mitológicas, religiosas, científicas e filosóficas - que buscam explicar como tudo começou.

A teoria da origem do universo chamada de Big Bang que significa grande explosão, oriunda de uma concepção científica, é uma das teorias propostas sobre o desenvolvimento inicial e origem do universo. Correspondendo a mais aceita pela comunidade cientifica mundial.

Possui considerado como seu autor o astrônomo Georges Edouard Lemaítre (1894-1966) que teve, em boa parte, como embasamento para desenvolver seu trabalho: a Teoria Geral da Relatividade do físico Albert Einstein (1879-1955) e as equações do matemático Alexander Driedmann (1888-1925).

Georges Lemaítre basicamente dizia que o universo inicialmente era menor, muito quente e denso.  Esse mesmo universo, segundo ele, foi um único átomo chamado de "átomo primordial” que concentrava toda matéria e energia. Tal átomo primordial teve um determinado momento que se fragmentou e dispersou em uma quantidade tão expressiva de proporções imensuráveis de pedaços. E cada um dos pedaços foi se fragmentando sucessivamente em outros menores até chegar aos átomos atuais.

Isso tudo ocorrendo, supostamente, a menos de 14 bilhões de anos atrás aproximadamente, a partir da explosão de um aglomerado de matéria bastante quente e denso do qual o universo outrora menor foi constituído. O provável acontecimento desse evento no passado longínquo do universo faz jus logicamente ao próprio nome da teoria que ficou amplamente conhecida como Big Bang (grande explosão). Curiosamente, apesar da teoria do Big Bang certamente ter atribuída como autor o astrônomo Georges Lemaíte, quem é creditado por ter criado o termo Big Bang foi, em 1949, Fred Hoyle (1915-2001).

Descobertas científicas posteriores, em 1929, de Edwin Powell Hubble (1889-1953) foram, sem dúvida, fundamentais para ajudar a reforçar a possibilidade de ter ocorrido os cenários propostos pela teoria do Big Bang. Tendo em vista que Hubble principalmente evidenciou que os aglomerados de galáxias estão se afastando uma das outras.

Dessa forma, isso implicou em dizer também que se a distância entre galáxias está aumentando, todas deveriam estar mais próximas no passado. Além disso, abriu espaço para fundamentar, inclusive, a idéia de que não são exclusivamente as galáxias que estão se afastando, mas que esse fenômeno é decorrente do universo, desde o evento do Big Bang (grande explosão), estar em constante expansão.

Expansão essa do universo que chegou a um determinado ponto que permitiu, ao longo do tempo, haver as condições favoráveis das partículas de matéria do espaço se movimentar sem colidir tanto umas com as outras como normalmente acontecia, possibilitando começar a produzir estruturas mais organizadas, dando assim origem, então, as galáxias, planetas, estrelas, asteróides, dentre outros corpos celestes.

Essa ideia comprovando a expansão do universo que ficou conhecida como Lei de Hubble, devido a sua importância pode ser até considerada, de certo modo, uma explicação complementar a teoria Big Bang, no sentido de que ao invés de contestar, na verdade, veio da sua maneira particular contribuir para reforçar o evento da grande explosão.

Contudo, a teoria Big Bag evidentemente apresenta limitações. Importantes estudiosos continuam buscando novas evidências que a confirmem, enquanto outros estudiosos a contestam. Mesmo assim, não deixa de possuir, ao mesmo tempo, sua relevância científica, pois propõe uma das explicações, até o momento, mais bem fundamentadas sobre a origem do universo.  Revelando, dentre outras coisas, um universo misterioso e fascinante, não essencialmente estático, mas complexamente dinâmico.

TEXTO: ANTONIO GUSTAVO

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

PLUTÃO: POR QUE NÃO É MAIS UM PLANETA?



Plutão foi descoberto, em 1930, pelo astrônomo norte-americano Clyde Tombaugh (1906-1997) do observatório Lowell, no estado do Arizona dos EUA (Estados Unidos da América).  Apesar de ser o menor corpo celeste do sistema solar, distante do Planeta Terra e do Sol, foi inicialmente considerado como mais um dos Planetas existentes no sistema solar.

Porém, a partir do início do século XXI, em 2006, a IAU (União Astronômica Internacional) um dos mais importantes órgãos de astronomia que reúne astrônomos de diversos países, estabeleceu novos critérios a respeito da classificação de Planetas. Nesse momento, Plutão deixou de ser considerado um Planeta para passar a ser rebaixo a definição de um Planeta Anão.  Fazendo parte agora do grupo dos pequenos corpos do sistema solar.

Porque dentro desses novos critérios atualmente vigentes, basicamente leva-se em consideração três importantes fatores que permitem classificar se um corpo celeste pode ser ou não considerado um Planeta: deve ser esférico; deve girar em torno do sol; e o planeta tem que possuir sua órbita livre, ou seja, normalmente não dividindo com outros objetos espaciais, exceto relativamente com seu(s) próprio(s) satélite(s) natural(is). Assim sendo, deve ser o objeto espacial dominante na sua órbita, exercendo influência.

O que se concluiu foi que o terceiro fator pertencente a esses critérios de classificação utilizados pela IAU, isto é, ter a sua órbita livre. Foi, em grande parte, o principal responsável pelo fato de Plutão deixar de ser considerado um Planeta para ser reclassificado como um Planeta Anão.

Na medida em que Plutão está situado numa região orbital, Cinturão de Kuiper, na qual se verificou que não está livre, pois há a presença de vários outros objetos espaciais que compartilham da sua órbita. Além disso, Plutão não é o dominante da sua órbita em função de que esses outros objetos espaciais, ficam girando em torno do Sol e não estão expressivamente submetidos à sua influência gravitacional.

Contudo, é necessário sabermos que mesmo após Plutão ter deixado, assim, de ser oficialmente classificado como um Planeta a base dos novos critérios científicos aplicado pela IAU. Permanece gerando discussões entre os astrônomos.

Tendo em vista que essa decisão não foi aceita com unanimidade entre os astrônomos, ou seja, não houve completa concordância. Ainda há estudiosos que continuam considerando Plutão como um Planeta. De um modo (sendo considerado apenas como um Planeta Anão) ou de outro (sendo considerado como um Planeta) é interessante percebermos que Plutão certamente mantém sua importância para a astronomia.

TEXTO: ANTONIO GUSTAVO

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

LUA: O QUE É? QUAL A SUA IMPORTÂNCIA?



A Lua que geralmente conhecemos por conseguir despertar o interesse dos estudiosos, suscitar novos mistérios aos cientistas, inspirar encantos aos românticos poetas e, antes de tudo, conhecemos por cativar a admiração de diversos contempladores, principalmente pelo fato de ser possível observá-la brilhante no céu noturno das mais variadas regiões do planeta Terra.
É a mesma Lua que é considerada o único satélite natural do planeta Terra. Localizada no sistema solar e distante numa média de aproximadamente 384.400 km da Terra, sendo assim, também considerada como o corpo celeste mais próximo da Terra.
No que diz respeito a explicação da sua formação, apesar de que há, dentre outras, a existência da teoria mais recente, teoria das múltiplas colisões, de que a lua foi submetida a múltiplos impactos que num determinado momento resultaram através dessa dinâmica na sua origem. A teoria que continua até o momento sendo mais aceita, chamada de teoria da grande colisão, afirma que provavelmente ocorreu um impacto a mais de 4,5 bilhões de anos atrás. Num período de tempo um pouco posterior ao evento da formação da Terra. Nessa hipótese, seu surgimento se deu em função basicamente de um impacto que houve do planeta Terra com outro planeta da época que atravessou sua órbita, esse outro planeta que se chocou com a Terra, supostamente pode ter sido, mais ou menos, de um tamanho equivalente ao planeta Marte.
Permitindo pela explosão com que naturalmente se chegasse ao ponto de fragmentar o material, ou seja, desintegrando e dispersando uma quantidade significativa de material antes pertencente a ambos os planetas, sendo esse mesmo material oriundo da Terra tanto quanto desse outro planeta, o que veio depois exatamente a se agregar e constituir num só formando a Lua.
Referente a algumas características da Lua, ela apresenta três tipos de movimentos: rotação (movimento em que gira em torno do seu próprio eixo), translação (movimento em que gira ao redor do Sol) e revolução (movimento em que gira ao redor da Terra). Fenômenos específicos, tais como as conhecidas fases da Lua (cheia, minguante, nova ou crescente) estão relacionados ao seu movimento de revolução e translação, ou seja, através do movimento que realiza, ao mesmo tempo, em torno da Terra e em torno do Sol. Na medida em que faz com que haja, dessa forma, alternâncias na face iluminada da Lua e, obviamente, diferentes variações na maneira como ela é observada da superfície terrestre.
Mesmo que a Lua possua presença expressiva de crateras, formadas durante milhões de anos, após normalmente o choque com meteoros. Ao contrário da Terra, já que não possui uma atmosfera, de certo modo, densa capaz de desintegrar ou, ao menos, frear os meteoros que se dirigem à sua superfície. Pois, de acordo com a NASA (National Aeronautics and Space Administration) ela possui uma camada atmosférica muito fina e frágil.
Ainda assim, acredita-se que grande quantidade dos elementos que compõe a Lua é relativamente parecido com o material encontrado na Terra como, por exemplo, o basalto (componente de rochas vulcânicas) e assim como a Terra se subdivide em três partes: crosta, manto e núcleo.
Outra característica que destaca bastante a Lua é por ela exercer de diferentes maneiras influência sobre a Terra, tendo em vista que, de certo modo, ajuda na estabilidade climática. Pois, cientistas estimam que sem a Lua uns dos conjuntos de efeitos que seriam logo intensamente sentidos em escala global decorreria na existência tanto de verões que passariam a ser extremamente mais quentes e os invernos que passariam a ser extremamente mais frios quanto no aparecimento de fenômenos meteorológicos terríveis, afetando negativamente assim a vida de muitas espécies de animais e plantas que simplesmente desapareceriam.

E apesar de ser um fenômeno menos conhecido do que os demais, os cientistas dizem que a Lua influência em prolongar a duração dos dias em nosso planeta. Já que após a formação da Lua, a sua presença contribuiu expressivamente para os nossos dias durarem mais horas. Logo, sem a Lua a Terra giraria mais rápido e a duração dos dias seriam bastante menores.
Não poderíamos esquecer de ressaltar também a influência mais conhecida das marés na Terra que são provocadas pela variação de intensidade da força gravitacional da Lua, denominada de força de maré. Permitindo com que grandes massas de água dos oceanos se movam dependendo da posição da Lua em relação a Terra, produzindo os movimentos de subida e descida do nível do mar, as chamadas marés, que correspondem as marés altas e as marés baixas. Válido dizer que os movimentos de marés ainda são também influenciados pelo Sol, porém como a Lua está mais próxima da Terra, é ela que diretamente produz uma influência certamente maior.
Sem com isso desmerecer jamais o Sol, afinal a Lua mesmo sendo o corpo celeste mais brilhante do céu noturno, não possui luz própria, ou seja, a luminosidade que vemos de nosso planeta é proveniente da luz solar refletida na superfície lunar assim como essa mesma luminosidade é fundamental para existência do fenômeno das fases da Lua.
Além disso, chama atenção os famosos espetáculos astronômicos dos eclipses que acontecem quando o Sol, a Terra e a Lua se encontram alinhados. Durante a ocorrência do eclipse lunar a Lua entra na área de sombra da Terra. Dependendo das condições de cada eclipse a Lua pode passar a ficar penumbra, parcial ou totalmente encoberta pela sombra da Terra. Os eclipses possuem duração de alguns minutos ou até mesmo de horas, no geral, podem ser vistos a olho nu da Terra, sem auxílio de equipamentos,  quando necessariamente as condições do tempo e de reduzida poluição visual são favoráveis.
Por essas e outras razões, assim, podemos facilmente perceber porque o estudo da Lua é tão fascinante e porque ela em seus diversos aspectos é, sem dúvida, importante não só para humanidade, mas também para o planeta Terra.

TEXTO: ANTONIO GUSTAVO

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

CARNAVAL: ESSE FESTEJO CULTURAL TEVE A SUA INVENÇÃO NO BRASIL?



O carnaval, ao contrário do que é mais comum de se imaginar ou pensar, não é um evento cultural popular que tem sua invenção no Brasil, apesar do Brasil certamente ser um país a nível internacional bastante reconhecido como o que possui não só o maior carnaval do mundo, mas também o que possui o carnaval, muitas vezes, considerado o melhor do mundo.
Não é atoa que o Carnaval de uma das principais cidades brasileiras, Rio de Janeiro, de acordo com o Guinness Book (Livro dos Recordes), é considerado a maior festa popular do mundo, conseguindo reunir milhares de pessoas nas ruas durante a realização desse evento cultural.
Contudo, a respeito da invenção do carnaval na humanidade, na verdade, não se sabe exatamente afirmar a partir de quando, onde e como o mesmo surgiu. O que se pode dizer, a base de pesquisas realizadas por diversos estudiosos do assunto, é que a a história da origem do carnaval remonta a antiguidade, sendo normalmente apontado como possíveis lugares de origem: Mesopotâmia, Egito, Grecia e Roma. Ainda assim, talvez o que fosse mais correto de se dizer, no geral, é que o carnaval é uma herança cultural oriunda de várias comemorações realizadas ao longo do espaço de tempo da antiguidade.
Na mesopotâmia, historicamente aparece associado ao rito que os reis realizavam em períodos que compreendiam a comemoração do ano novo. Acontecendo, na época, no templo de Marduk que era tido como um dos primeiros deuses mesopotâmicos, durante a realização do rito o rei perdia temporariamente o seu poder para ser surrado em frente a estátua de Marduk, servindo, de certo modo, como um ato de submissão a divindade, logo após encerrar-se o rito o rei novamente assumiu o seu poder. Caracterizando, assim, o carnaval na mesopotâmia, basicamente como uma subversão do papel social.
Porém, a associação até nos dias de hoje mais predominante que se faz de associar o carnaval com orgias tem sua possível a origem apontada em festas gregas e romanas. Tendo em vista que na grecia havia a realização de festas conhecidas como "bacanais" dedicadas ao Baco, Deus do vinho, através das quais eram frequentes tanto o uso de bebidas quanto a busca de satisfação dos prazeres da carne.
Assim como em Roma essas festas duravam dias sendo celebradas com comidas, danças e bebidas. Dedicadas a grandes colheitas e a divindades. Ocorrendo os "saturnais", enaltecendo Saturno, considerado o deus da agricultura. Apareciam, às vezes, alguns elementos também relacionados a subversão do papel social, na medida em que temporariamente os escravos assumiam o papel de senhores e, por sua vez, os senhores assumiam o papel de escravos.
O carnaval pode ser considerado, assim, a festa de origem popular mais antiga na humanidade e uma das mais antiga realizada no Brasil. Em relação ao Brasil, mesmo não tendo exatamente o mesmo sentido da origem histórica do carnaval, a origem desse importante evento cultural só veio a acontecer em meados do período colonial do século XVII, sendo fortemente marcado inicialmente pelo “entrudo”, uma folia carnavalesca oriunda de Portugal.
Haviam os entrudos familiares e os entrudos populares, os primeiros envolviam famílias ricas dos centros urbanos e os segundos em bairros populares participavam a população na sua maioria economicamente pobres. Era comum no "entrudo", as pessoas saírem com seus rostos pintados e brincarem de jogarem comidas umas nas outras, costumando ser farinha, água e ovos.
Mesmo surgindo interessantes marchinhas de carnaval no século XIX. Foi durante o século XX que o carnaval veio a consolidar-se no Brasil, ganhando mais destaque, porque passa não só a ser considerado uma atividade cultural, mas também passa a ser uma atividade comercial e mais popularizada, contribuindo de maneira fundamental para esse avanço a introdução tanto do gênero muscial do samba que ao longo do tempo logrou torna-se o principal representante musical do carnaval quanto o surgimento e desfiles das primeiras escolas de sambas.
Apesar desse fato não podemos desconsiderar jamais a riqueza existente de uma variedade de outras formas de expressões e ritmos regionais que obtiveram espaço na realização dessa atividade cultural em diferentes lugares do país. Por exemplo, no Estado da Bahia, em Salvador, o carnaval costuma ser acompanhado de trios elétricos, escutando-se músicas dançantes, especialmente o gênero musical do axé. Já, por outro lado, o carnaval em Pernambuco, Recife e Olinda, os ritmos regionais que mais embalam é o som das batidas musicais do frevo e maracatu, onde milhares de pessoas que vão as ruas, a maioria fantasiadas, dividem, ainda, espaço com a presença de bonecos gigantes desfilando nas ruas.
Portanto, mesmo não tendo sua invenção no Brasil, é praticamente impossível, assim, se falar de cultura no Brasil sem mencionar o carnaval. Pois, de fato, faz parte da construção cultural do povo brasileiro e ao longo do tempo só veio a adquirir enorme importância. Afinal, não podemos esquecer que é o maior evento popular de rua do mundo. Conseguindo de maneira livre e espontânea reunir milhares de pessoas que querem sentir o calor humano, experimentando a liberdade, alegria e diversão que é capaz de proporcionar o festejo de carnaval.

TEXTO: ANTONIO GUSTAVO

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

O QUE É O IDH?




O IDH (Indíce de Desenvolvimento Humano) corresponde a um índice elaborado, em 1990, pelo economista indiano Amartya Sen e pelo paquistanês Mahbub Ul Haq que busca principalmente medir o nível de desenvolvimento socioeconômico dos países analisados. Diferenciando-se bastante na sua metodologia de outros índices existentes, pois o IDH não se baseia somente em fatores econômicos, mas também em fatores sociais.

Tendo em vista que além do elemento econômico, outros dois elementos importantes são levados em consideração na sua análise: educação e saúde. Na economia, verifica-se o PIB per capita e a taxa de desemprego, na medida em que fornece informação referente ao padrão de vida estabelecido e ao poder aquisitivo alcançado por cada país, já que indica soma de toda a riqueza produzida por um país em determinado período dividido pela quantidade total de habitantes.  Na saúde, aspectos relacionados a longevidade como expectativas de vida ao nascer, acesso a medicina e tratamentos para se obter dados a respeito da qualidade de vida. E na educação, constata-se a taxa de alfabetização e o tempo de escolaridade visando revelar a situação da educação identificada em cada país.  

Na prática, o IDH é normalmente utilizado de modo comparativo, porque permite distinguir o nível de desenvolvimento socioeconômico de cada país. De acordo com o resultado apresentado pelo índice, os países podem ser diferentemente classificados em: países com IDH alto, países com IDH mediano e os países com IDH abaixo da média. Ou, por outras palavras, ainda há também a possibilidade de classificar os países em: desenvolvidos, emergentes ou subdesenvolvidos.

O que vai ser determinante para definir o modo como cada país é classificado é o resultado na mensuração da escala de valor utilizada no IDH. Basicamente consistindo numa escala numérica que mede o nível de desenvolvimento de 0 à 1. Aonde se entende que quanto mais próximo for do número 1, mais desenvolvido é o país. Enquanto que, por outro lado, quanto mais próximo for do 0, menos desenvolvido é o país.

Países com índice de desenvolvimento superior à 0,800, possuem um IDH alto. Países com IDH menor que 0,800 são considerados com IDH mediano. E países com IDH inferior a 0,499, são classificados abaixo da média. No ranking do IDH elaborado, em 2018, pela ONU (Organização das Nações Unidas) e divulgado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), demonstra que os países que apresentam os quatros IDH mais altos são: Noruega, Suíça, Irlanda e Alemanha. Enquanto os que ocupam as quatro últimas posições são países africanos: Sudão do Sul, Chade, República Centro-Africana e Níger.

Especificamente o Brasil manteve-se estagnado, ou seja, não apresentou melhoras significativas no seu desenvolvimento socioeconômico. Chegando, inclusive, a perder uma posição no ranking do IDH, deixando de ocupar a posição de 78º lugar para passar a ser 79º lugar entre o total de 189 países pesquisados. Apesar disso, o IDH do Brasil, em 2018, foi de 0,761. Superior a 0,499 e inferior a 0,800. Portanto, sendo um nível de IDH que pode ser considerado mediano.

Entretanto, como todo índice o IDH possui obviamente algumas limitações. Muito dos seus críticos e estudiosos geralmente afirmam que é um índice incompleto, porque acaba deixando de lado diversos elementos importantes que implicam positivamente no desenvolvimento humano, tais como: meio ambiente, autonomia e emancipação dos indivíduos, condições de trabalho e lazer, segurança política e económica, entre outros.

Ainda assim, não podemos deixar de perceber como o IDH é fundamental, tanto no sentido de auxiliar órgãos como o PNUD e a ONU, compondo o RDH (Relatório para o Desenvolvimento Humano) quanto também orientando os estudiosos a ter, de certo modo, uma noção sobre o nível de desenvolvimento socioeconômico dos países pesquisados ao longo do mundo.

TEXTO: ANTONIO GUSTAVO

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

ILHAS DE CALOR: O QUE SÃO? QUAIS AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS?



As ilhas de calor podem ser consideradas uma espécie de microclimas urbanos que, ao contrário de outros fenômenos climáticos, corresponde a um fenômeno que não só sua origem, mas também sua ocorrência, está diretamente relacionado à ação antrópica, ou seja, às atividades humanas que se caracterizam como um fator que favorece na baixa da qualidade de vida urbana assim como num reflexo da degradação ambiental urbana.  

Pois, a expressão de sua manifestação é principalmente percebida pela identificação da alta taxa de elevação da temperatura do ar e da superfície concentrada em determinadas áreas dos centros urbanos de grandes cidades. Gerando com o aumento da temperatura desconforto térmico e implicando com aumento de gases tóxicos em doenças respiratórias na população urbana.

Basicamente podendo se perceber de modo mais evidente a ocorrência desse fenômeno climático das ilhas de calor quando se compara e diferencia a média de temperatura presente no centro das grandes cidades, local onde pode haver a presença do fenômeno de ilhas de calor, acima da média de temperatura típica das partes mais periféricas e menos urbanizadas da cidade, podendo oscilar a temperatura numa diferença provavelmente de 2C, 3C a 4C.

Ou, sobretudo, quando se compara e diferencia com as áreas rurais, local onde não há a presença do fenômeno das ilhas de calor, às diferenças de temperaturas constatadas, sem dúvida, chegam a ser bastantes extremas, podendo provavelmente alcançar a média de 5C, 8C e até mesmo mais de 10 C de temperatura.

Tendo em vista que um dos principais fatores, em grande parte, responsável por permitir essa variação e diferenciação de temperatura observadas nos centros urbanos com relação ao campo consiste no fato de que nas áreas rurais, naturalmente há mais presença de cobertura vegetal (plantas, árvores, flores), aumentando a umidade do ar e diminuindo as temperaturas do ambiente.

Enquanto que nos centros urbanos normalmente a presença de áreas verdes faz-se de forma mais escassa, ao mesmo tempo, em que a concentração de elementos urbanos (concreto, asfalto, casas, prédios, edifícios e outras construções) é algo tão comum, estimulando a produção de microclimas urbanos, onde há maior absorção do calor e a alta taxa de emissão de gases tóxicos provenientes de automóveis, motocicletas, indústrias, dentre outros, potencializando o impacto das ilhas de calor retendo o calor próximo da superfície.

No Brasil, por exemplo, as ilhas de calor podem ser mais facilmente identificadas ao longo de áreas situadas em grandes centros urbanos das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Em função de obviamente corresponder às áreas de predominância de um conjunto de elementos urbanos e ações humanas que geram e agravam esse fenômeno climático.

No entanto, não podemos deixar de destacar que as ilhas de calor podem ser fenômenos, de certo modo, considerados relativos, uma vez que devido as diferentes complexidades climáticas existentes no mundo assim como aos diversos fatores relacionados a dinâmica de origem e ocorrência desses microclimas urbanos não se explicam exatamente como igual em uma cidade e outra.  

Diante desse problema, faz-se necessário, dentre outras coisas, que a população desenvolva a consciência ambiental e os governantes e planejadores urbanos repensem os modelos atuais de crescimento das cidades e a lógica de reprodução espacial urbana vigente, passando a levar em consideração o fator ambiental como um critério importante, indicando a qualidade de vida da população assim como a qualidade ambiental das cidades.

Buscando, nesse sentido, melhores alternativas e possíveis soluções para combater as ilhas de calor, por exemplo, não subestimando os benefícios que as áreas verdes e a arborização podem proporcionar através de espaços urbanos com a presença de parques ambientais, praças, ruas, avenidas, vias públicas arborizadas. Conseguindo não só especificamente reduzir com os efeitos negativos provocados pelas ilhas de calor, mas também contribuindo com o bem estar da população e a elevação da qualidade ambiental das cidades.

TEXTO: ANTONIO GUSTAVO

PALAVRA

Muito vale a palavra de quem fala em busca de esclarecimento; pouco vale a palavra de quem fala em busca de engajamento. (Antonio Gustavo)